sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sobre o sistema político-partidário brasileiro.

O atual sistema político-partidário brasileiro não representa os interesses do conjunto da sociedade. Configura-se como um instrumento de perpetuação de poder a qual siglas de agremiações políticas e seus caciques se valem da miserabilidade alheia para obter dividendos eleitorais. Nada há de interesse em prosperidade coletiva ou outros substratos de caráter ideológico na atual fase da república brasileira. A lógica imperante é o enriquecimento privado, permeado por uma hipocrisia ética utópica nos discursos.

Citemos como exemplo o processo eleitoral de cidades pequenas. Se dá da seguinte forma: pleiteantes a cargos públicos sondam lideranças comunitárias e estas, por sua vez, regimentam eleitores para determinados candidatos ou candidaturas em seus lugarejos, recebendo destes promessas de futuros empregos ou cifras caso se elejam, deixando na cabeça de cada uma dessas pessoas a idéia de que a máquina pública deve cumprir uma função que deveria caber à iniciativa privada. Quando estas cidades se encontram em baixos índices de desenvolvimento econômico, sendo incapazes de absorver a mão-de-obra ociosa existente, seu povo se submete a estas relações clientelistas para encontrar uma ocupação e assim sanar as necessidades existenciais mais emergenciais. E é nesse momento que o indivíduo vê silenciar a dimensão crítico-revolucionária de sua existência. Tal alienação política é conveniente a quem governa.

Quando se obtém dos eleitos tais vantagens, o eleitor de determinado candidato se nutre de impressionante sentimento de gratidão, o que foi para determinados políticos um pietismo teatral. Os erros cometidos pelos "padrinhos" passam ignorados no pós-eleições, por temor de perder sua ocupação e os efeitos práticos desses erros se sentem quando este "escravo das conveniências alheias" visita um hospital em caso de uma emergência para consigo ou familiares e encontra péssimos serviços, falta de estrutura física, carência de profissionais e medicamentos. 

Pra que emancipar os indivíduos? Pra que despertar a insatisfação social e sua fúria? Nenhum governante quer que seu povo seja inconformado. E tudo faz para querer calá-lo. Augusto, primeiro imperador romano, soube usar com maestria o Panis et Circensis. Os coronéis das oligarquias do início do século XX no Brasil, também. E na atualidade, com o Bolsa-Família.

Quando o indivíduo não se deseja fazer tutelado pelo Estado, atinge a sua maioridade social. É livre para pensar sem temor de repressões ideológicas. 

2 comentários:

Sandro Guimarães disse...

Excelente! Descreve fielmente o verdadeiro mundo dos negócios políticos no Brasil. Por isso que não acredito mais em mudança de quadro, e sim no aumento da corrupção, falta de cultura e cada vez mais a diminuição da participação daqueles que pretendem lutar para tentar modificar esse quadro. O eleito pode até ser "bom cidadão", mas ao assumir, correrá riscos se não "rezar" pela cartilha corporativista

Caio Rocha disse...

O Brasil é um país que precisa ser refundado por um Cabral de seriedade.