domingo, 5 de maio de 2013

A privatização das calçadas e praças do Aracati.

Numa cidade que não gera emprego e que considerável parcela de sua população está desempregada, cada qual encontra uma forma de tirar o seu sustento, mesmo que isso signifique desrespeitar os direitos de outros. Estabelecimentos põem cadeiras e mesas para as pessoas desfrutarem de uma bela pizza ou churrasco ao ar livre na companhia de seus amigos e familiares. Isso é parnasiano, mas antes de tudo fere os direitos de termos acesso a esses locais. E não adianta usarem como argumento de que "eram espaços outrora descuidados do poder público". É dever do poder público não descuidar deles. Creio que está faltando bom senso nesta cidade. Os turistas que vêm para cá, reclamam de nossa desorganização e isso não é bom. Não sou contra quem quer que seja ganhar o seu pão de cada dia, mas que seja de forma correta, como estabelece a Lei Orgânica do município.

Aracati e suas vozes.

A terra dos bons ventos tem um programa de rádio chamado A Voz do Aracati. Particularmente, como amante da democracia, creio ser sempre salutar a divergência de opiniões, desde que se mantenha o bom nível da discussão política, porque eu acredito que todos os aracatienses, sejam eles governistas ou não, desejam que a cidade prospere.

O foco do meu comentário não são as problemáticas abordadas no semanal que, via de regra, concordo com muita coisa que é dita. A questão é quem os abordam. Espantei-me ao saber que o vereador Kaká é o "José Nêumane Pinto" da atração sabadina na FM do ex-prefeito, diga-se de passagem o pior governante de todos os tempos. O mesmo que se fez de mudo diante da buraqueira e do caos de águas pluviais em administrações passadas. Que bom que recobrou a voz e que está com uma visão bem aguçada.

Parabéns, Karl Marx.

Em 5 de maio de 1818, nascia Karl Marx, pensador alemão que mergulhou à fundo na compreensão da engenharia de sustentação do sistema capitalista, que reside na apropriação da mais valia de uma classe social por outra, por meio da alienação do trabalho e do trabalhador. Seu pensamento serviu de inspiração para os movimentos revolucionários do século XX, como revolução russa, cubana, norte-coreana, chinesa, etc. E até nos dias atuais, marcados por forte crise nas economias centrais, há quem diga que "ele estava certo" e que "o fim do capitalismo se aproxima". O fato é que crises são cíclicas no capitalismo e  ele não se acabou depois de 1873 ou 1929. Pelo contrário, se fortaleceu, incorporando muitas reivindicações dos proletários. 

A Primavera dos Povos, de 1848, projetou suas idéias no cenário europeu e mundial, ao lançar o Manifesto Comunista. Eram  tempos do  Capitalismo Industrial. O contexto era favorável para instabilidades: os trabalhadores não tinham quaisquer direitos sociais, cumpriam ampla jornada de trabalho, os salários mal garantiam a subsistência e não haviam sistemas previdenciários. As cidades cresciam e milhares, a cada ano, se desenraizavam do campo para trabalhar em fábricas.  Ambicionava a liberdade das sociedades terrenas da tirania burguesa e o que se viu ao longo da história foi justamente o inverso: a ditadura DO proletariado SOBRE o proletariado. Citemos como exemplo Cuba, onde impera a censura. Lá, oposicionistas são presos ou mortos em paredóns. Um fato há de se considerar naquele regime dos irmãos Castro: a erradicação do analfabetismo. Porém de que adianta a universalidade da instrução primária se os habitantes daquele país não podem manifestar seu pensamento de forma textual? Uma coisa é certa e devo reconhecer: Marx foi mais humano que os marxistas.

The essence of the free press is the characterful, rational, moral essence of freedom. The character of the censored press is the characterless monster of unfreedom; it is a civilised monster, a perfumed abortion. (Disponível aqui)

Alguns estudiosos calculam em mais de 100 milhões o número de mortos nesta experiência social fracassada. Stálin deve ostentar a titularidade de um bom quinhão destas estatísticas. E para se esquivar da realidade histórica, marxistas dizem: "nenhum país adotou o socialismo ainda". Bela tentativa de justificar os números acima. Cuba, na década de 70, era uma espécie de  coqueluche igualitária para muitos revolucionários anti-ditadura no Brasil. Essa visão idílica durou até a queda da URSS e a reinstituição da democracia aqui. Com o multipartidarismo e a descriminalização do comunismo, um fato passou a se tornar perceptível: estes "paladinos da liberdade" tornaram socialistas apenas no discurso. Voto de pobreza ficou para os militantes. As cúpulas dos partidos de inspiração socialista não recusam um Rolex, jantares em restaurantes de luxo ou  nenhuma outra regalia burguesa, se bem que nem Marx recusaria, já que era sustentado pelo filho de industrial e grande companheiro filosófico, Friedrich Engels. Os socialistas brasileiros, a exemplo do Mestre-Maior, estão longe de serem fac-símiles de Francisco de Assis. De qualquer forma, parabéns Marx. E cortemos o bolo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O preço que pagamos por nossas escolhas.

Cada governo existente na atualidade, teoricamente representa os interesses de frações de povos do planeta. E estes, por serem conduzidos por seres humanos, são 'naturalmente' imperfeitos (parafraseando a condição humana apregoada pela teologia judaico-cristã).  Porém, uns governos são mais imperfeitos do que outros e isso é perceptível em seus efeitos práticos na realidade, ao observarmos indicadores.

Particularizando o debate, as intemperanças dos caciques da política nacional ganham 'cinquenta tons de cinza' para nós, indefesos indiozinhos,  quando lemos e vemos na mídia impressa ou televisionada algumas escabrosas 'eventualidades' de desvio de dinheiro público. Não vou discutir as causas dessas imperfeições, mas a tolerância quase que unânime ao desrespeito constitucional, abrindo espaço para a não-moderação das ambições individuais dos 'chefes da aldeia' e fazendo uma sociedade como a brasileira perder as chances históricas de repensar os erros acumulados desde seu 'aparecimento'. 

Primeira imperfeição: O Brasil convive hoje com uma alta carga tributária e as autoridades fiscais e políticas relutam fazer reformas, por temerem queda de receitas ou rupturas profundas que levem à perda de privilégios. Mas quem se importa com o bem do Brasil? É esta estrutura engessada, somada ao parasitismo e ineficiência da máquina pública que prejudica a livre-iniciativa, encarecendo os custos de produção de pequenas, médias e grandes empresas, obrigando os empresários a repassarem os custos de produção as suas mercadorias, in suma, gerando inflação. Quem sai mais prejudicado é o pobre, mantido ignorante e usado como massa de manobra de quem ousa advogar em sua causa. Mas o governo, como é movido por bondades e coitadismos, adota políticas sociais desfocadas que, por vezes, acomodam as pessoas ou privando-as de alçarem grandes vôos rumo ao sucesso individual.  Não se esqueça: Pobre paga imposto. Repita isso como mantra.

Segunda imperfeição: a maior parte dos brasileiros encarna a apatia do saudoso personagem Jeca Tatu, da obra de Monteiro Lobato. Prosperar pelo trabalho e pela poupança é pecado, já que no adágio popular, "é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus". Pra que poupar para se ter uma vida melhor no futuro, se podemos morrer amanhã, havendo assim a necessidade de se aproveitar o hoje? É, mas se o amanhã chegar e você estiver vivo - e endividado, pode ter certeza que você fez a alegria de muitos, tendo enfiado em seu pescoço uma  belíssima corda.

Terceira imperfeição: As pessoas reclamam dos problemas que elas mesmas causam ao votar em seres de mente alcapônica. Collor, por exemplo, não se apossou de seu mandato. Alguém o pôs no poder. E quem o pôs foi o povo, certamente não em postura sábia. Cheguei à conclusão que se  o mesmo resolvesse se lançar novamente à presidência, talvez recebesse expressiva votação. Mas enfim, fico aqui admirando os 'imperfeitos' top's da lista abaixo.


PosiçãoPaísIDH 2011
 DESENVOLVIMENTO HUMANO MUITO ALTO 
1Noruega0,943
2Austrália0,929
3Holanda0,910
4Estados Unidos0,910
5Nova Zelândia0,908
6Canadá0,908
7Irlanda0,908
8Liechtenstein0,905
9Alemanha0,905
10Suécia0,904
11Suíça0,903
12Japão0,901
13Hong Kong, China (SAR)0,898
14Islândia0,898
15Coréia do Sul0,897
16Dinamarca0,895
17Israel0,888
18Bélgica0,886
19Áustria0,885
20França0,884
21Eslovênia0,884
22Finlândia0,882
23Espanha0,878
24Itália0,874
25Luxemburgo0,867
26Cingapura0,866
27República Tcheca0,865
28Reino Unido0,863
29Grécia0,861
30Emirados Árabes Unidos0,846
31Chipre0,840
32Andorra0,838
33Brunei Darussalam0,838
34Estônia0,835
35Eslováquia0,834
36Malta0,832
37Qatar0,831
38Hungria0,816
39Polônia0,813
40Lituânia0,810
41Portugal0,809
42Bahrein0,806
43Letónia0,805
44Chile0,805
45Argentina0,797
46Croácia0,796
47Barbados0,793
 DESENVOLVIMENTO HUMANO ALTO 
48Uruguai0,783
49Palau0,782
50Romênia0,781
51Cuba0,776
52Ilhas Seychelles0,773
53Bahamas0,771
54Montenegro0,771
55Bulgária0,771
56Arábia Saudita0,770
57México0,770
58Panamá0,768
59Sérvia0,766
60Antígua e Barbuda0,764
61Malásia0,761
62Trinidad e Tobago0,760
63Kwait0,760
64Líbia0,760
65Bielorrússia0,756
66Rússia0,755
67Granada0,748
68Cazaquistão0,745
69Costa Rica0,744
70Albânia0,739
71Líbano0,739
72São Cristóvão e Nevis0,735
73Venezuela (República Bolivariana da)0,735
74Bósnia e Herzegovina0,733
75Geórgia0,733
76Ucrânia0,729
77Ilhas Maurício0,728
78Ex-República Iugoslava da Macedônia0,728
79Jamaica0,727
80Peru0,725
81Dominica0,724
82Santa Lúcia0,723
83Equador0,720
84Brasil0,718
85Ilhas de São Vicente e Granadinas0,717
86Armênia0,716
87Colômbia0,710
88Irã0,707
89Omã0,705
90Tonga0,704
91Azerbaijão0,700
92Turquia0,699
93Belize0,699
94Tunísia0,698
 DESENVOLVIMENTO HUMANO MÉDIO 
95Jordânia0,698
96Argélia0,698
97Sri Lanka0,691
98República Dominicana0,689
99Samoa0,688
100Fiji0,688
101China0,687
102Turcomenistão0,686
103Tailândia0,682
104Suriname0,680
105El Salvador0,674
106Gabão0,674
107Paraguai0,665
108Bolivia0,663
109Maldivas0,661
110Mongólia0,653
111Moldávia0,649
112Filipinas0,644
113Egito0,644
114Territórios Ocupados da Palestina0,641
115Uzbequistão0,641
116Estados Federados da Micronésia0,636
117Guiana0,633
118Botswana0,633
119Síria0,632
120Namíbia0,625
121Honduras0,625
122Quiribati0,624
123África do Sul0,619
124Indonésia0,617
125Vanuatu0,617
126Quirguistão0,615
127Tajiquistão0,607
128Vietnã0,593
129Nicarágua0,589
130Marrocos0,582
131Guatemala0,574
132Iraque0,573
133Cabo Verde0,568
134Índia0,547
135Gana0,541
136Guiné Equatorial0,537
137Congo0,533
138República Democrática Popular do Laos0,524
139Camboja0,523
140Suazilândia0,522
141Butão0,522
 DESENVOLVIMENTO HUMANO BAIXO 
142Ilhas Salomão0,510
143Quênia0,509
144São Tomé e Príncipe0,509
145Paquistão0,504
146Bangladesh0,500
147Timor-Leste0,495
148Angola0,486
149Mianmar0,483
150Camarões0,482
151Madagascar0,480
152Tanzânia0,466
153Papua Nova Guiné0,466
154Iêmen0,462
155Senegal0,459
156Nigéria0,459
157Nepal0,458
158Haiti0,454
159Mauritânia0,453
160Lesoto0,450
161Uganda0,446
162Togo0,435
163Comores0,433
164Zâmbia0,430
165Djibouti0,430
166Ruanda0,429
167Benin0,427
168Gâmbia0,420
169Sudão0,408
170Costa do Marfim0,400
171Malawi0,400
172Afeganistão0,398
173Zimbábue0,376
174Etiópia0,363
175Mali0,359
176Guiné-Bissau0,353
177Eritreia0,349
178Guiné0,344
179República Central Africana0,343
180Serra Leoa0,336
181Burkina Faso0,331
182Libéria0,329
183Chade0,328
184Moçambique0,322
185Burundi0,316
186Níger0,295
187Congo (República Democrática do)0,286