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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ecossustentabilidade.


Outro dia estive fazendo uma conta bem simples do tamanho do impacto ambiental que a falta de educação, somado ao predadorismo da atividade econômica, causam ao meio ambiente.

O planeta tem atualmente uma população de 7 bilhões de pessoas. Se cada uma jogasse por dia ao menos uma bolinha de papel no chão das ruas das cidades mundo afora, teríamos então 7 bilhões de bolinhas de papel descartadas. Se multiplicarmos por 365 dias de um ano, teríamos um total de 2 trilhões e 555 bilhões de bolinhas de papel jogadas por aí. Claro que neste exemplo cabe dizer que alguns indivíduos jogariam mais quantidades bolinhas de papel no chão que outros, e alguns não jogariam nada, mas a conta final estaria mantida em 7 bilhões de bolinhas por dia. Pensemos: quantas árvores foram cortadas em florestas de nosso planeta para se extrair a celulose necessário para se produzir um caderno em apenas um dia? Infelizmente, todo este papel estará tampando bueiros de grandes metrópoles quando chove. E sabemos bem que estes números são bem maiores.

sábado, 16 de junho de 2012

Ainda sobre a conferência Rio+20, o desafio brasileiro.


Um dos grandes desafios que tem a humanidade frente a este século é promover desenvolvimento econômico com inclusão social de parcelas da população mundial outrora marginalizadas pela 'sociedade de consumo'. E esta melhoria desejada do padrão de vida implicaria altíssimos custos ambientais, tendo em vista que a demanda energética e de matéria-prima não renovável teria de crescer em comparativo aos atuais níveis. Urge a necessidade de se promover amplos debates no tocante a alternativas que visem diminuir progressivamente a dependência de hidrocarbonetos.

Como solução emergencial, os governos devem aplicar grande soma de recursos na ampliação do serviço público de transporte, dando-lhe segurança, rapidez e eficiência. É claro que isso afetaria os interesses de fabricantes de veículos, donos de postos de combustíveis e grandes companhias petrolíferas, além do mercado de trabalho que se agrega a esta teia produtiva, sem contar com o próprio Estado, que se beneficia consideravelmente com a arrecadação tributária do setor petrolífero e automotor. Em nosso país, nos últimos anos, recorreu-se a medidas anti-ambientais para se evitar o contágio de nossa economia ascendente por crises externas. Reduziu-se, por exemplo, impostos como IPI e até os juros para o financiamento de veículos. Consequência imediata? A malha urbana dos grandes centros passaram a se habituar com enormes congestionamentos... Intensificou-se então a emissão de gás carbônico na atmosfera, reduzindo a qualidade do ar e a imunidade orgânica das pessoas principalmente nas grandes metrópoles.

Testemunhamos que temos diversificado a nossa matriz energética nas últimas décadas, atraindo grandes investimentos estrangeiros em energias limpas. Ponto positivo. Mas ainda somos campeões em desmatamentos e queimadas. Ponto negativo.  Estamos atrasados no processo de  coleta, seleção e tratamento do lixo residencial e industrial e também é necessário mencionarmos a falta de educação das pessoas, que jogam papéis, garrafas de vidro ou de plástico e sacola nas ruas... A reciclagem não daria conta de tornar reaproveitável todo o nosso lixo produzido, mas diminuiria bastante os impactos na natureza e na vida coletiva das regiões metropolitanas.

A tecnologia que dispomos hoje nos permite abdicar do Petróleo. Não faremos isso antes que se esgotem os suprimentos. Essa dependência desestabilizou geopoliticamente o mundo, levando-nos à  necessidade de importação de países produtores do Oriente Médio. Para manter a oferta, governos ocidentais financiaram ditaduras que entraram ou ameaçam entrar em colapso na atualidade. Uma parte da fúria anti-ocidentalista advém desta relação... O plano de fundo das "primaveras árabes" é o desemprego e carestia dos alimentos. E estas, por sua vez, são oriundas da oscilação dos preços dos combustíveis. Barril a preço de quase cem dólares implica o repasse de ônus ao consumidor. O poder aquisitivo de salários diminui. É provável que esta crise no mercado financeiro reduza o ritmo de crescimento das economias industriais, inclusive da China, dependendo do panorama de estagnação ou recessão na zona do Euro, pondo para baixo a demanda por combustível. A vulnerabilidade desta nação asiática é justamente sua dependência de investimentos e dos mercados ocidentais.

Uma coisa é certa: é preciso encontrar um ponto de equilíbrio.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sustentabilidade e Rio + 20


Inicia-se hoje a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, o RIO+20. Representações diplomáticas e chefes de Estado de diversas nações do globo se endereçarão ao Rio de Janeiro para discutir alternativas que permitam conciliar progresso econômico e equilíbrio ambiental. Sustentabilidade é a palavra de ordem do momento.

Em um mundo onde paira a ameaça de um colapso financeiro sistêmico, frear o ritmo de prosperidade de países em rápida expansão de suas economias é algo inaceitável para autoridades de muitos governos, já que consideráveis parcelas de famigerados ascenderam à classe média. Vejamos o caso da China: a renda da população deste país asiático aumentou de forma substancial nas últimas duas décadas. E como sabemos, há aproximadamente 1,3 bilhões de bocas para se alimentarem e se vestirem por lá, sendo um mercado consumidor que oferece largas vantagens ($) aos homens de negócios. Além disso, a combinação de fatores como falta de plano de previdência pública, carga tributária baixa e moeda desvalorizada fizeram com que inúmeras empresas ocidentais  realizassem investimentos pesados naquele país. O desemprego caiu e as famílias chinesas passaram a consumir mais alimentos e bens de consumo duráveis como automóveis, por exemplo. Isso estimulou o mercado mundial de commodities do setor agrário e também cresceu a demanda por petróleo de regiões produtoras. 

A necessidade crescente por soja e celulose fez com que as fronteiras agrícolas no Brasil, a título de informação, avançassem sobre áreas de proteção ambiental, causando notáveis danos aos biomas regionais. Diante desta realidade, é previsível que China, ao coro de outros países, não adotem a maior parte das recomendações do documento que será produzido ao final deste encontro.

Sabemos que a China é um fenômeno econômico recente e que os problemas ambientais ditam desde o início do século XIX. É injusto penalizar ela e os emergentes "do sul" em um contexto de estagnação do "mundo rico" euro/norte-americano, uma vez que foram regiões "do norte" que deflagraram todas estas desordens. O planeta não suporta o atual ritmo predatório de exploração de seus recursos não renováveis.

A tecnologia que temos na atualidade nos permite superar o uso de combustíveis fósseis. Vale ressaltar que é o gás hidrogênio que levam nossas espaçonaves à órbita terrestre. Porém o lobby de companhias petrolíferas é muito forte e os Estados arrecadam bilhões de dólares em tributação.

A mensagem que fica é: Quando a natureza nos mandará a conta? Espero que não estejamos mais aqui quando ela mandar a conta.