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sábado, 23 de junho de 2012

Crise de legitimidade.

Como noticiamos ontem, Fernando Lugo, foi afastado da presidência da república do Paraguai pelo Senado daquele país por meio de um julgamento sumário cujas razões são totalmente subjetivas. Alguns países da América do Sul, como Venezuela (previsível) e Argentina não reconheceram seu vice, Federico Franco como novo presidente. Abaixo, podemos ter a noção de alguns por quês para este ato arbitrário:


info paraguai cronologia 23 (Foto: 1)  

Fonte: g1

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Fui num baile em Assunción...capital do Paraguai...

O presidente Fernando Lugo foi destituído hoje à tarde da presidência do Paraguai por votação esmagadora no Congresso Nacional. E a reação internacional já começou. Há até uma suposta ameaça de expulsão do país do bloco econômico Mercosul por violação da cláusula democrática. Ainda não estão claras as causas que levaram o parlamento daquele país a fazer tal ato. A nação tem um histórico considerável de golpes de Estado e de ditaduras sanguinárias implantadas pelas Forças Armadas, dentre as quais de Alfredo Stroessner, de tristíssima memória, onde milhares de pessoas morreram, 'desapareceram' ou foram presas. A informalidade de sua economia é alta, somando-se aos índices elevados de pobreza extrema. Infelizmente estas parecem ser as chagas mais profundas dos países da América Latina, com algumas poucas exceções. 

Fazendo uma análise mais complexa e geral do fato em questão, partamos para uma observação histórica: notamos que após o processo de rompimento da teia de colonização exploratória das potências européias no continente americano, os países da América não superaram ainda o peso de seu passado 'de sangue'. Não há estabilidade política e o reflexo disso é o afastamento de qualquer possibilidade de investimentos externos em setores produtivos de suas economias, o que contribuiria bastante para reduzir os altíssimos índices de desemprego, elevariam as receitas tributárias e, se bem aplicadas, poderiam melhorar suas infra-estruturas físicas, aumentando assim a competitividade a nível de mercado global. A postura nacionalista exacerbada de alguns chefes de estado da região também contribui para este cenário. Outro exemplo a se lamentar é a Bolívia, que expropria empresas multinacionais sem antes pensar em uma política industrial que reduza a dependência de capital externo. Argentina, de Cristina Kirchnner, expropriou a Repsol sem indenizar a empresa petrolífera da Espanha. 

O socialismo bolivariano de Chávez vocifera contra o imperialismo yankee distorcendo o pensamento de vultos do passado, como Bolívar (que não tinha um projeto nem um pouco socialista) e cultuando ícones envelhecidos de doutrinas socioeconômicas falidas, como a da revolucionária Cuba, governada pelos irmãos Castro.

Um exemplo de superação destes 'estigmas do tempo' é o Chile, que é considerado um dos países mais atrativos para investimentos estrangeiros e que tem uma das maiores rendas per capita, graças à fortaleza de suas instituições democráticas aliadas a boas reformas econômicas que dão substrato para margens de crescimento consideráveis em seu Produto Interno Bruto. Também é um dos que mais investem em educação.

domingo, 10 de junho de 2012

Internacional: Do outro lado do Atlântico...a dor de cabeça dos governos europeus.


A situação da Espanha é deveras preocupante. Seu sistema bancário ameaça colapsar, exigindo uma pesada intervenção estatal para se evitar a falência de grandes instituições financeiras. Há alguns dias, o governo injetou 19 bilhões de Euros em seu terceiro maior banco, o Bankia. Neste sábado, Madrid oficializou um pedido ao EuroGrupo de um crédito de até 100 bilhões de Euros, o que exigirá do uma série de ajustes fiscais que penalizarão os espanhóis ainda mais, já que os mesmos sofrem com a estagnação econômica e altíssimos índices de desemprego. Este é um dos países com maior taxa de desemprego da região, de aproximadamente 25% da população economicamente ativa. 

O receituário recomendado é amargo e é o mesmo aplicado no Brasil na década de 1990. Para se reduzir a relação dívida/PIB, os credores exigirão cortes de gastos e aumento de impostos como garantias de que os empréstimos serão honrados, obrigando o Estado a reduzir investimentos para melhoria da qualidade e ampliação dos serviços públicos ofertados. Porém, ignoram os economistas do FMI e do Banco Central Europeu (BCE) que esta relação também pode ser reduzida por meio de políticas de fomento ao desenvolvimento da atividade industrial, já que economia aquecida elevam as arrecadações fiscais e reduzem as tensões sociais com aumento de contratações.

E no que se refere à Grécia, a agência de Classificação de Riscos Mood's disparou: se sair da Comunidade Européia, este bloco estará em xeque, obrigando a instituição a rever todas as notas das dívidas públicas do Mercado Comum, incluindo as de Estados com triplo A, que somente economias sólidas e confiáveis ostentam. Se isto acontecer, o rating de países como Alemanha, França, Finlândia, Luxemburgo e Países Baixos seriam revistos para baixo.

Esta crise européia não atingiu seu ápice. 

Na crise de 1929, a maior do capitalismo, os países saíram da crise aumentando investimentos públicos como forma de reduzir o desemprego e estimular o consumo e a produção da indústrias, a exemplo dos EUA com o famoso New Deal, projetado pelo economista britânico Maynard Keynes. Na atual, deve-se abdicar de qualquer possibilidade de endividamento. A crise começou no sistema financeiro, se alastrou pelo setor produtivo e obrigou governos a injetarem somas altíssimas de recurso para se tentar sanar os problemas, endividando-se. Quem paga a conta? O povo.

Raoul Paul, ex-gestor de fundos de risco na GLC Partners e na Goldman Sachs e fundador da Global Macro Investor, lançou recentemente livro The End Game (o fim do jogo) que traz previsões sombrias para o futuro:

A global banking collapse and massive defaults would bring about the biggest economic shock the world has ever seen.  No trade finance, no shipping finance, no finance for farmers, no leasing, no bond market, no nothing…

Vamos ver se a profecia Maia se cumpre...


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O mundo está em crise. Crise de que?


O movimento "Ocupe Wall Street" vem se configurando em um grave e nocivo reflexo da crise econômica e social da era vigente. Não são apenas meros protestos anticapitalistas. É sobretudo um clamor para que a economia esteja a serviço da sociedade e não o contrário.

Trilhões de dólares nos últimos 10 anos foram canalizados para guerras malogradas, o que elevou o déficit público dos EUA e criou um excesso de liquidez e de consumo que acabou gerando bolhas, principalmente no setor imobiliário. Quando este entrou em crise por conta do aumento das taxas de juros e os calotes começaram a surgir, instituições creditícias passaram a sofrer problemas em seus caixas.  Suas ações em bolsas de valores despencaram. O acúmulo de derivativos 'podres' levou à falência o centenário Lehman Brother, que atuava há mais de 1 século e que resistira à crise de 1929 e colocou outros bancos em situação de pré-falência, como Freddie Mac e Fannie Mae. O mundo globalizado foi contaminado. Elevaram as demissões. Governos injetaram outros trilhões de dólares para evitar que bancos e empresas fossem à baila. A General Motors recebeu vultosas quantidades de recurso do Tesouro Americano.

Pensava-se que o pior havia passado. Mas resolvemos um problema criando outro, ou seja, temos completo endividamento dos Estados Transnacionais. Os gregos estão em grau especulativo. Devem uma soma maior que sua produção econômica. Os EUA foram rebaixados pela agência de classificação de riscos S&P. A Itália se vê obrigada a fazer um severo pacote de ajuste fiscal. Se esse país quebrasse, o Banco Central Europeu não teria recursos para salvá-la. E Berlusconi caiu. Papandreau caiu. Que destino terá o Euro? Suportará a Alemanha com estes resgates bilionários até quando? É chegada a era dos tecnocratas. E a próxima bola da vez será a  França. Instituições bancárias deste país detém muitos títulos da terra de Aristóteles e Platão. E falta sabedoria na governança global. Crise das sociais-democracias e do estado de bem-estar social?

Na Espanha, desemprego acima de 20%, o mais alto da Europa. E os portugueses, quase pedindo para virarem colônia do Brasil. No Oriente Médio, jovens foram às ruas derrubar governos autoritários, pois creditaram a eles a carestia de vida e falta de oportunidades de trabalho. Kadafi caiu no cadafalso de suas próprias ambições. Assad, na Síria, não resistirá muito às pressões internas e externas.

Que admirável mundo novo. Será que estamos revivendo a década de 1930 no século XXI?