A humanidade tem a capacidade de captar e interpretar as informações que o ambiente lhe proporciona por meio de nossos receptores sensoriais. E oferece ao mundo que o cerca uma resposta. Somando-se a um contexto sócio-histórico que estimule a engenhosidade e o espírito de descobertas, temos como consequência o aprimoramento tecnológico. Quando não há sistemas de compensações e estímulos, o desenvolvimento de tecnologias estagnam.
Vejamos o caso da história européia:
O colapso da cultura clássica levou à fragmentação de poder político e por conseguinte ocasionou a ruralização da sociedade daquele continente, em meados do século V. Antes da ruína do maior império da antiguidade, o Romano, governantes da 'cidade eterna' ou de suas províncias canalizaram grande soma de recursos outrora destinados a construírem grandes monumentos nos tempos áureos para manter militarmente a defesa de suas fronteiras. Esforços em vão. Diversos povos cruzaram o Danúbio e causaram pânico à população romanizada. As atividades comerciais e urbanas declinaram, com a diáspora urbana do senhorio aristocrático rumo às suas propriedades no campo. Uma das categorias profissionais mais afetadas com as invasões germânicas foi a dos engenheiros, creio eu. O desenvolvimento técnico parou pela falta de 'financiadores'.
Com a constituição da sociedade medieval plenamente cristianizada, mesclando elementos culturais romanos e bárbaros, a vida social passou a se resumir em comunidades autossuficientes conhecidas como feudos. As construções senhoriais mais avançadas passaram a ser os castelos fortificados, cuja elegância e conforto eram dispensados.
Julgamos a Idade Média como Idade das Trevas, por conta do predomínio do dogmatismo religioso e retrocesso da urbanidade. Por incrível que pareça, a Igreja muito contribuiu para a preservação e reavivamento de padrões da técnica clássica, ao edificar por todo aquele continente, catedrais em estilo gótico, que exigiam bastante perícia. A Notre-Dame, data da Baixa Idade Média, por volta do século XII. Monges guardaram e copiaram em seus monastérios uma grande quantidade de textos de pensadores greco-romanos.
As cruzadas, convocadas inicialmente pelo Papa romperam os limitados horizontes feudais. Cruzados retornaram da Palestina com grande quantidade de riquezas e mercadorias, que foram vendidas com boa margem de lucro. Surgem as feiras, as casas de câmbio, bancos, corporações de ofícios e, por fim, a necessidade de uma justificação ideológica para a prática do lucro e de uma postura de individualidade em relação ao pensar e agir. A unificação de feudos em monarquias nacionais com a ajuda do novo substrato social, a burguesia, até então alijada de direitos políticos foi um reflexo óbvio da crise feudal.
A acumulação monetária desta classe social, no Renascimento (séc XV-XVII) fez com que a engenharia voltasse ao pleno vigor comparativo ao da antiguidade clássica greco-romana, pois retornaram os investimentos públicos e privados para a confecção de prédios com o máximo de precisão e sofisticação, como por exemplo a Basílica de São Pedro e sua enorme abóbada projetada por Michelângelo, o mesmo que fora contratado pelo Papa Sisto IV para ilustrar o teto de sua Capela, a Sistina, com afrescos de passagens bíblicas que contam a história do surgimento do universo e da salvação do homem. Banqueiros, da mesma forma, erigiram grandiosos palacetes e contratavam serviços de pintores renomados para imortalizarem suas imagens. Pagavam altas somas por isso. E assim, desenvolveram-se as artes. Com o passar dos tempos, os estilos e as motivações dos traços e pinceladas foram se modificando, acompanhando as transformações temporais.
E foi um padre da Igreja, Nicolau Copérnico, quem descobriu a maior verdade de todas: que a terra gira ao redor do sol, o que abriu margem para o questionamento da posição dogmática da própria instituição religiosa, que manipulava o que era ou não correto.
Nunca se quebraram tantos paradigmas! Há relação entre progresso material e acumulação de saberes? De que forma os fatos históricos de grande repercussão aceleram ou atrasam a história, como a II Guerra Mundial ou os atentados de 11 de setembro de 2001? Eis um intrigante questionamento que certamente tem tirado o sono de muitos filósofos.
Somos motivados pela busca da verdade, embora sabendo todos que a verdade última do tudo nos é desconhecida. Quanto mais avançamos nesta apropriação de conceitos, mais perguntas passamos a formular ao que nos intriga. Há lacunas dentro dos princípios gerais das ciências que persistirão por muito tempo. Algumas respostas só obteremos após mais avanços tecnológicos. Hoje, foi descoberto o bóson de Highs, pondo abaixo algumas premissas de Einstein. E assim, poderá se fazer uma nova leitura do universo, bem como abrir novos campos de estudo e pesquisa, que fatalmente levarão os seres humanos a sofisticarem as tecnologias já existentes.
Jamais teríamos conhecimento do código genético ou mesmo produtos genéticos se Antonie Van Leeuwenhoek tivesse inventado o microscópio e realizado a descoberta da vida em sua forma mais elementar: a célula.
Enfim, o que quis dizer com tudo isso? Que cada inovação serve de base para novas descobertas. A da energia permitiu o desenvolvimento do rádio, da gravação em rolos de filmes, depois surgiu a tv e hoje se discute a convergência de tecnologias. O que nos aguarda para adiante? quem viver, verá!
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